Meus caros, nos últimos meses venho me preocupando com o que ouço em relação à ofensiva que vem sendo travada em nosso bairro contra as liberdades de fé, práticas religiosas e principalmente contra a perspectiva libertadora cristã. Não acho necessário comentar aqui alguns absurdos ilógicos e tradicionalismos quase que cômicos (se não fossem trágicos), porém, o desrespeito a uma formação religiosa e social na qual o cuidar da plenitude da vida dos próximos é a maior manifestação de fé que há eu não poderia deixar passar sem expressar-me sobre o assunto.
Companheiros, assim como Gandhi e Che Guevara a história de Cristo é uma das mais belas e inspiradoras (tanto que reconfigurou o mundo nos últimos 2011 anos), tal homem nasce em meio há uma situação de grande pobreza e conflitos de todo tipo. A todo tempo o que vimos nos escritos sobre sua história são as suas AÇÕES na tentativa de libertar o seu povo, realizava estas ações em dias e lugares que não eram permitidos (fora dos templos e até no sábado), não fazia distinção de sexo, raça, cultura ou profissão. O cristão Paulo Freire com certeza o tomou como referência quando escreveu sobre a “Pedagogia do EXEMPLO”. Em Medelin e Puebla o Vaticano declarou sua opção pelos pobres, quando se volta a pensar sobre a natureza humana de Cristo, na América Latina a Teologia da LIBERTAÇÃO tomou corpo, nomes como Frei Beto, Leonardo Boff e José Comblim tornam-se referência em relação a prática libertadora cristã, as Comunidades Eclesiais de Base trouxeram um exitosa experiência de respeito e igualdade mútua, as Pastorais Sociais lutaram e ainda lutam na tentativa de contribuir na construção de um mundo (reino) de paz e justiça . Estes fatos, conceitos, perspectivas de vida e orientações permearam a construção das comunidades do Alto do Mateus.
É por estas coisas que falei que tento trazer algumas reflexões, com meu pensamento em Jesus e em Marx. Então vamos lá a algumas perguntas. Porque ao invés de julgarmos nossos irmãos por não serem de nossa Igreja não nos juntamos a eles na construção de um mundo melhor? Porque voltar a pregar a caridade (dos RICOS) ao invés da ação (dos pobres)? Porque descredibilizar os/as que praticam a ação baseada na fé indo além das paredes da Igreja?
Meus irmãos minhas colocações mesmo que simples as tenho como importantes, pois, alguém voltar a pregar por aqui o tradicionalismo (quase fundamentalismo) me faz lembrar de males que nós cristãos já causamos a humanidade, como a destruição da Biblioteca de Alexandria no período da Igreja primitiva e a nada “Santa” Inquisição durante o período Medieval. Certo de vossa atenção aguardo ansiosamente respostas e outros pensamentos que contribuam para o debate sobre o que vem acontecendo em nossas comunidades.
Atenciosamente,
Matheus Firmino
12/04/2011