terça-feira, 12 de abril de 2011

À Fernandinho e Ramalho

Meus caros, nos últimos meses venho me preocupando com o que ouço em relação à ofensiva que vem sendo travada em nosso bairro contra as liberdades de fé, práticas religiosas e principalmente contra a perspectiva libertadora cristã.  Não acho necessário comentar aqui alguns absurdos ilógicos e tradicionalismos quase que cômicos (se não fossem trágicos), porém, o desrespeito a uma formação religiosa e social na qual o cuidar da plenitude da vida dos próximos é a maior manifestação de fé que há eu não poderia deixar passar sem expressar-me sobre o assunto.
Companheiros, assim como Gandhi e Che Guevara a história de Cristo é uma das mais belas e inspiradoras (tanto que reconfigurou o mundo nos últimos 2011 anos), tal homem nasce em meio há uma situação de grande pobreza e conflitos de todo tipo.  A todo tempo o que vimos nos escritos sobre sua história são as suas AÇÕES na tentativa de libertar o seu povo, realizava estas ações em dias e lugares que não eram permitidos (fora dos templos e até no sábado), não fazia distinção de sexo, raça, cultura ou profissão. O cristão Paulo Freire com certeza o tomou como referência quando escreveu sobre a “Pedagogia do EXEMPLO”. Em Medelin e Puebla o Vaticano declarou sua opção pelos pobres, quando se volta a pensar sobre a natureza humana de Cristo, na América Latina a Teologia da LIBERTAÇÃO tomou corpo, nomes como Frei Beto, Leonardo Boff e José Comblim tornam-se referência em relação a prática libertadora cristã, as Comunidades Eclesiais de Base  trouxeram um exitosa experiência de respeito e igualdade mútua, as Pastorais Sociais lutaram e ainda lutam na tentativa de contribuir na construção de um mundo (reino) de paz e justiça . Estes fatos, conceitos, perspectivas de vida e orientações permearam a construção das comunidades do Alto do Mateus.
É por estas coisas que falei que tento trazer algumas reflexões, com meu pensamento em Jesus e em Marx. Então vamos lá a algumas perguntas. Porque ao invés de julgarmos nossos irmãos por não serem de nossa Igreja não nos juntamos a eles na construção de um mundo melhor?  Porque voltar a pregar a caridade (dos RICOS) ao invés da ação (dos pobres)? Porque descredibilizar os/as que praticam a ação baseada na fé indo além das paredes da Igreja?
Meus irmãos minhas colocações mesmo que simples as tenho como importantes, pois, alguém voltar a pregar por aqui o tradicionalismo (quase fundamentalismo) me faz lembrar de males que nós cristãos já causamos a humanidade, como a destruição da Biblioteca de Alexandria no período da Igreja primitiva e a nada “Santa” Inquisição durante o período Medieval. Certo de vossa atenção aguardo ansiosamente respostas e outros pensamentos que contribuam para o debate sobre o que vem acontecendo em nossas comunidades.
Atenciosamente,
Matheus Firmino
12/04/2011

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Democracia só para quem pode!



Pimenta nos olhos dos Estudantes é refresco para o Governo da Paraíba

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Câmara desrespeita Juventude Estudantil


Na ultima quinta-feira (31/03) pude observar mais uma manifestação de completo descaso para com a juventude da capital por parte de um dos poderes públicos. Não é novidade toda a “imbromação” que o Prefeito Luciano Agra utilizou para não receber a juventude estudantil, para cobrar-lhe a redução da tarifa de transportes PÚBLICOS urbanos. Aumento este totalmente injusto e processualmente incorreto.
 Porém, o que os Vereadores e Vereadoras de João Pessoa fizeram não fica para traz em comparação com as atitudes do Prefeito. Vários Vereadores/as estavam presentes no Plenário tratando de assuntos pertinentes (uma moção de aplausos qualquer aí...) e a Sessão acontecia normalmente, mas, ao aproximar-se da Câmara uma passeata de estudantes (uns 50 no máximo) ao ponto de já se ouvir os sons de suas (nossas) palavras de ordem UM a UM começa a deixar as dependências do Plenário fazendo com que o Presidente da Mesa a desse como encerrada por FALTA de CÓRUM. Ato meticulosamente articulado. Ainda ressalto que não chegamos lá de supetão, já havíamos marcado reuniões na casa outra três vezes. 
 Ao chegarem nos corredores da “Casa do Povo” são rapidamente impedidos de entrar pelos “Armários de palitot” com barbas bem feitas e dedos da grossura de um cabo de formão apontados para a nossa cara dizendo que não podemos entrar por que não está havendo sessão. Não entendo por que motivo um grupo de poucos estudantes causou tanto medo aos vereadores/as que os fizeram fugir, mas, é seguro que não foi por medo e sim por total desrespeito as causas justas de um seguimento da população da capital que é a Juventude estudantil. Vejam a gravidade desse ato institucional e político, não foram a penas o membros da situação que estavam lá, também os da oposição se encontravam na sessão e tomaram juntos a atitude de “pegar o beco”. Isso é a comprovação de como uma instituição pública desmoraliza-se em favor dos empresariado dos transpostes. Estavam presentes no momento os Vereadores/as Eliza Virginia (PPS), Raíssa Lacerda (DEM), Raoni Mendes (PDT), Mangueira (PMDB), Bruno Farias (PPS), Benilto Lucena(PT), Jorge Camilo(PT),  Zezinho Botafogo (PSB), Fernando Milanez (PMDB), bom esses são os que eu lembro por ter visto seus rostos antes da “Carrera” que deram...
Se alguns estudantes reivindicando seus direitos são capazes de fazer os/as Vereadores/as abandonarem a Câmara que aconteceria se milhares de nós ocupássemos a Assembleia Legislativa? 

Matheus Firmino

terça-feira, 15 de março de 2011

Mapa da Violência

O Ministério da Justiça lançou na última quinta-feira (24), em Brasília, o Mapa da Violência 2011 – Os Jovens do Brasil. Elaborado pelo Instituto Sangari, em parceria com o Ministério da Justiça, o estudo traz um diagnóstico sobre como a violência tem levado à morte brasileiros, especialmente os jovens, nos grandes centros urbanos e também no interior.
De acordo com a pesquisa a pesquisa o Brasil ocupa o 6º lugar em taxas de homicídio. Entre 1998 e 2008 o homicídio foi a causa da morte de 39,7% dos jovens no Brasil. Na população adulta, 1,8% dos óbitos foi causado por homicídios. O sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, que coordenou o estudo, afirmou que a situação no Brasil é “epidêmica”. “A taxa de homicídios entre jovens está três vezes acima da média internacional. Ainda é muito elevada se levarmos em conta o contexto externo”, explicou.
Após apresentar o estudo o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo , afirmou que o governo vai retomar as políticas de desarmamento. “Uma questão grave é a questão do desarmamento. O Ministério da Justiça vai retomar as políticas de desarmamento. Espero contar com o apoio da sociedade, pois esse é um desafio importante”.
Cardozo afirmou que também tomará medidas para diminuir o número de mortes de jovens no trânsito. Segundo ele, parte dos acidentes está relacionada ao consumo de álcool e drogas, e por isso, as políticas serão voltadas para esta questão.
O ministro reafirmou a disposição do governo de trabalhar pela integração das forças de segurança pública. “Não existe política de segurança sem integração. Enquanto cada um joga na sua área, não teremos resultados”.
Outros dados
O Mapa da Violência também analisou as mortes de jovens causadas por acidentes de trânsito e suicídios. De acordo com o estudo, entre 1998 e 2008, a taxa de mortes no trânsito entre a população jovem foi de 32,4%. Entre a população adulta, a taxa foi de 26,5%.
No período de 1998 a 2008 a taxa de suicídio entre os jovens aumentou 22,6%, passando de 1.454 suicídios, em 1998, para 1.783, em 2008.
Para ler o Mapa da Violência 2011 clique AQUI ou acesse www.juventude.gov.br/biblioteca/pesquisas-e-estudos
Com Portal G1 e Ministério da Justiça

Na Paraíba os números são assustadores

Causas externas das mortes de jovens em nosso Estado são de 71%, homicídios são 39,3%, mortes violentas somam 63%. É necessário que os poderes públicos da PB junto aos movimentos e entidades juvenis tomem um posicionamento diante de tais dados, a formulação de Politicas Públicas de Juventude vão muito mais além da ocupação do "tempo livre" com o esporte e a represão policial aos jovens marginalizados nas pereiferias. A todo tempo estamos (nós jovens) servindo apenas para aumentar a audiência de programas sensacionalistas, que nos criminalizam usando de bordões humorísticos (nada tem de engraçados) deixando totalmente de lado o debate sobre as verdadeiras causas de tais crimes.


Matheus Firmino

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Sobre as Juventudes da Paraíba

Este ano se apresenta como um ano importantíssimo para as juventudes da Paraíba, assim como, de todo o Brasil. No nosso caso em especial, teremos muitas atividades, mobilizações e debates acerca dos temas que permeiam o universo juvenil nos seus mais diversos segmentos. No entanto, antes de pensarmos em como se organizar para estes momentos, como as conferências, faz-se necessário entender os processos que levaram as organizações juvenis a este tão especial momento e quem são seus/suas protagonistas.
O Conselho Estadual de Juventude da Paraíba – CEJUP, desde 2005, quando se encaminhou a Assembleia Legislativa o Projeto de Lei n°7.801, que o criou, algumas organizações que já tinham em seus círculos um debate sobre as PPJ’s (políticas públicas de Juventude), como o Setor Juventude da Arquidiocese da Paraíba, Pastoral da Juventude do Meio Popular e a ONG ASTEIAS interviram no processo de elaboração da minuta de lei que não atendia às diversidades do segmento juvenil paraibano. Aprovada ainda no mesmo ano, quando também foi criada a Secretaria de Juventude, Esporte e Lazer da Paraíba - SEJEL, o atual governo pouco deu atenção à importância do Conselho e se esquivou de muitas formas até viabilizar as Plenárias de composição do CEJUP em março de 2008 – por força de ação impetrada no Ministério Público Estadual-PB e pelos movimentos juvenis.  
Desde a criação do Conselho, nenhum dos dois últimos governos demonstraram entender JUVENTUDE como prioridade ou minimamente um segmento social que tem pautas específicas, que devem receber atenção política, visto que somos hoje 33% da população do Estado e boa parte de nossa economia gira em torno de nós. Quanto ao Governo atual até agora as atenções da SEJEL estão voltadas apenas para o esporte, que por suas vez traz tanto ônus para o Estado, deixando assim transparecer que sua visão para com nossas pautas não merece ainda tanta atenção. Historicamente os poderes públicos em nosso Estado ainda tem uma visão muito tutelar sobre a juventude, como um seguimento a ser “controlado”, protagonista apenas de reportagens policiais e da criminalidade como um todo.
Diante de tais processos organizações juvenis tem desempenhado distintos papéis na construção de espações institucionais, debates, pesquisas e projetos que enriquecem as perspectivas sociais da juventude. Em 2008 foi realizada a I Conferencia Nacional de Juventude com suas etapas estaduais e municipais, e neste processo aconteceu a rearticulação da Rede de Jovens do Nordeste –RJNE,  que vem sendo protagonista em meio ao seguimento diante de tantas dificuldades enfrentadas. O protagonismo da RJNE-PB tem como força motora a sua diversidade, seus quadros são compostos por organizações de várias tendências religiosas, movimentos culturais, ONG’s, indígenas, quilombolas e associações, dentre várias outras. A realização de um Curso de Capacitação sobre conselhos de juventude, três seminários como tema Juventude e Participação Política formaram jovens de todo o estado para iniciarem os debates e articulações juvenis no sentido de protagonizar a construção das tão necessárias (e sonhadas) PPJ’s. A realização do Festival da Juventude Paraibana e a sua participação em outros eventos importantes possibilitam uma maior agregação de valor político-social as demandas das juventudes. Hoje a RJNE-PB está presente no CEJUP, no Conselho Nacional de Juventude e colabora com o Programa MERCOSUL Social e Solidário na construção da integração regional no âmbito do MERCOSUL que tenha a juventude como um elemento chave na integração cultural dos países membros. Porém, há ainda que se preocupar em chegar à outras juventudes espalhadas estado a dentro.
Indo mais além, outras organizações que participam dos espaços institucionais e mobilizadores das juventudes são as Juventudes Partidárias, mais intensamente as do PT, PSB e PCdoB, na Paraíba bem diferente de outros Estados (para melhor ou pior) estas organizações têm deixado a desejar (mesmo que por questões de ordem conjuntural onde todos estes partidos compõem os governos em todas as esferas), não conseguem desvincular-se dos processos de disputas partidárias, se preocupam demasiadamente em disputar os espaços de governo direcionados à juventude, as disputas internas os enfraquecem e não conseguem unificar suas pautas. Estes fatores merecem atenção pelo fato de todos eles se classificarem como partidos de esquerda e comporem o Governo Federal que foi o primeiro a possibilitar que às juventudes participassem da construção de políticas específicas para o seguimento
Desafios – É preciso que os movimentos juvenis entendam que todas as bandeiras de luta de cada organização formam uma pauta única, uma pauta que é de todas as juventudes, que todos os temas são parte de nosso diverso universo. Como exemplo: a luta do movimento #contraoaumentoJP não é unicamente ligado aos movimentos estudantis, mas sim, de todas as juventudes da capital estejam organizadas ou não. Precisamos entender que a diversidade de nossas pautas, PASSE LIVRE, Fim do Extermínio da Juventude Negra, Trabalho Decente... todas estão interligadas e é isso que deve unificar nossa bandeira - a própria Juventude. Assim, estaremos mais bem preparados e preparadas para a II Conferência Nacional de Juventude já convocada para o segundo semestre deste ano e os demais desafios que nos apareça.

Matheus Firmino