Este ano se apresenta como um ano importantíssimo para as juventudes da Paraíba, assim como, de todo o Brasil. No nosso caso em especial, teremos muitas atividades, mobilizações e debates acerca dos temas que permeiam o universo juvenil nos seus mais diversos segmentos. No entanto, antes de pensarmos em como se organizar para estes momentos, como as conferências, faz-se necessário entender os processos que levaram as organizações juvenis a este tão especial momento e quem são seus/suas protagonistas.
O Conselho Estadual de Juventude da Paraíba – CEJUP, desde 2005, quando se encaminhou a Assembleia Legislativa o Projeto de Lei n°7.801, que o criou, algumas organizações que já tinham em seus círculos um debate sobre as PPJ’s (políticas públicas de Juventude), como o Setor Juventude da Arquidiocese da Paraíba, Pastoral da Juventude do Meio Popular e a ONG ASTEIAS interviram no processo de elaboração da minuta de lei que não atendia às diversidades do segmento juvenil paraibano. Aprovada ainda no mesmo ano, quando também foi criada a Secretaria de Juventude, Esporte e Lazer da Paraíba - SEJEL, o atual governo pouco deu atenção à importância do Conselho e se esquivou de muitas formas até viabilizar as Plenárias de composição do CEJUP em março de 2008 – por força de ação impetrada no Ministério Público Estadual-PB e pelos movimentos juvenis.
Desde a criação do Conselho, nenhum dos dois últimos governos demonstraram entender JUVENTUDE como prioridade ou minimamente um segmento social que tem pautas específicas, que devem receber atenção política, visto que somos hoje 33% da população do Estado e boa parte de nossa economia gira em torno de nós. Quanto ao Governo atual até agora as atenções da SEJEL estão voltadas apenas para o esporte, que por suas vez traz tanto ônus para o Estado, deixando assim transparecer que sua visão para com nossas pautas não merece ainda tanta atenção. Historicamente os poderes públicos em nosso Estado ainda tem uma visão muito tutelar sobre a juventude, como um seguimento a ser “controlado”, protagonista apenas de reportagens policiais e da criminalidade como um todo.
Diante de tais processos organizações juvenis tem desempenhado distintos papéis na construção de espações institucionais, debates, pesquisas e projetos que enriquecem as perspectivas sociais da juventude. Em 2008 foi realizada a I Conferencia Nacional de Juventude com suas etapas estaduais e municipais, e neste processo aconteceu a rearticulação da Rede de Jovens do Nordeste –RJNE, que vem sendo protagonista em meio ao seguimento diante de tantas dificuldades enfrentadas. O protagonismo da RJNE-PB tem como força motora a sua diversidade, seus quadros são compostos por organizações de várias tendências religiosas, movimentos culturais, ONG’s, indígenas, quilombolas e associações, dentre várias outras. A realização de um Curso de Capacitação sobre conselhos de juventude, três seminários como tema Juventude e Participação Política formaram jovens de todo o estado para iniciarem os debates e articulações juvenis no sentido de protagonizar a construção das tão necessárias (e sonhadas) PPJ’s. A realização do Festival da Juventude Paraibana e a sua participação em outros eventos importantes possibilitam uma maior agregação de valor político-social as demandas das juventudes. Hoje a RJNE-PB está presente no CEJUP, no Conselho Nacional de Juventude e colabora com o Programa MERCOSUL Social e Solidário na construção da integração regional no âmbito do MERCOSUL que tenha a juventude como um elemento chave na integração cultural dos países membros. Porém, há ainda que se preocupar em chegar à outras juventudes espalhadas estado a dentro.
Indo mais além, outras organizações que participam dos espaços institucionais e mobilizadores das juventudes são as Juventudes Partidárias, mais intensamente as do PT, PSB e PCdoB, na Paraíba bem diferente de outros Estados (para melhor ou pior) estas organizações têm deixado a desejar (mesmo que por questões de ordem conjuntural onde todos estes partidos compõem os governos em todas as esferas), não conseguem desvincular-se dos processos de disputas partidárias, se preocupam demasiadamente em disputar os espaços de governo direcionados à juventude, as disputas internas os enfraquecem e não conseguem unificar suas pautas. Estes fatores merecem atenção pelo fato de todos eles se classificarem como partidos de esquerda e comporem o Governo Federal que foi o primeiro a possibilitar que às juventudes participassem da construção de políticas específicas para o seguimento
Desafios – É preciso que os movimentos juvenis entendam que todas as bandeiras de luta de cada organização formam uma pauta única, uma pauta que é de todas as juventudes, que todos os temas são parte de nosso diverso universo. Como exemplo: a luta do movimento #contraoaumentoJP não é unicamente ligado aos movimentos estudantis, mas sim, de todas as juventudes da capital estejam organizadas ou não. Precisamos entender que a diversidade de nossas pautas, PASSE LIVRE, Fim do Extermínio da Juventude Negra, Trabalho Decente... todas estão interligadas e é isso que deve unificar nossa bandeira - a própria Juventude. Assim, estaremos mais bem preparados e preparadas para a II Conferência Nacional de Juventude já convocada para o segundo semestre deste ano e os demais desafios que nos apareça.
Matheus Firmino